terça-feira, 14 de setembro de 2010

Por tras da operação do Fantástico





O que houve ao certo e o que deu errado na operação que trouxe o Fantástico de forma sorrateira à Fernandópolis? Quão diferentes são as imagens que o programa da Globo gravou em Fernandópolis dos mais de 5 mil municípios do pais? Quem convidou? Quem levantou as informações e por que se requisitou o Águia? Quem chamou a Globo para acompanhar a operação? Porque o Ministério Público só mobilizou essa operação em Fernandópolis? Não há notícias de ação parecida em outras cidades. Vão haver outras à noite, ou será somente esta?

Por que o Fantástico escolheu a cidade do Toque de Recolher para fazer imagens com câmara escondida? O Ministério Público montar uma operação em conjunto com a Policia Militar, tudo bem, quanto a isso, não há novidades. Mas como isso foi orquestrado? Foi o Fantástico que cedeu as imagens ao Ministério Público, ou o Ministério Público investigou, como é de praxe, sem alardes e sob sete chaves para implantar a operação? Por que a Policia Civil foi deixada de lado?

Estranho ao final da matéria, não haver o tradicional encerramento, como em todos as reportagens feitas com câmeras escondidas: “Após captar as imagens o Fantástico entregou as gravações ao Ministério Público”. Esta matéria foi encerrada normalmente sem parecer que o Ministério Público estivesse ao par das gravações. “O Fantástico gravou essas imagens nos dias 30 e 31 de agosto e dia 1 de setembro.” Não disse, em nenhum momento, que o Ministério Público sabia das imagens. 

Como só a Globo sabia da operação que o Ministério Público montou? Por que a imprensa local não foi avisada? Por que a Globo estava com carros descaracterizados para fazer a cobertura jornalística? Veículos esses utilizados para a reportagem investigativa, como ocorreu na semana anterior, para se fazer as imagens, não de acompanhamento a operação policial deflagrada. Por que apenas dois maiores foram presos frente a uma operação de tão grande vulto? Por que monta-se uma operação para pegar traficantes á noite? Sabe-se que, salvo em flagrante delito, com mandato de prisão, na casa do meliante, a policia apenas pode efetuar a prisão das 06h00 da manhã as 18h00, como reza a Constituição: “A casa é abrigo inviolável”. 

Parece que o objetivo não eram os menores, nem os traficantes. Parece que o objetivo era tentar maquiar os resultados obtidos pelo Toque de Recolher até hoje, e mostrar a opinião pública que a segurança de Fernandópolis está ameaçada por 2 pessoas que foram presas na noite daquela sexta feira, e os 18 menores encaminhados ao Conselho Tutelar, como há cinco anos acontece e vai perdurar por muito mais, sem nenhuma estranheza. 

Ruim não ficou para o Ministério Público, nem para a Polícia Militar, nem para o Juiz Evandro Pelarin, muito menos para os presos ou para os adolescentes e familiares, péssimo ficou para Fernandópolis que, desastrada, a Globo, imaginando ter um sublime poder de sentar-se a direita do Pai, escracha com uma chamada, três dias antes do programa dominical, alertando ao Brasil e, ao mundo pela Globo Internacional, que Fernandópolis é uma cidade “dominada pelo tráfico”. Como se os jornalistas da emissora não olhasse para seus próprios umbigos, que, de dentro do Projac, em Jacarepaguá, são cercados de favelas com traficantes de verdade, não esses pobres aprendizes que não tiveram espaço em grandes quadrilhas na capital e vieram ao interior imaginar impor alguma coisa e são presos todos dias.

Como se os jornalistas, artistas, cantores, apresentadores e colaboradores da Globo, não são assaltados, diariamente por morarem numa cidade sim, comandada por traficantes que sem determinados acordos, famílias não podem, nem se quer, ir ao supermercado fazer a compra da semana, sem pagarem pedágio. Só quem conhece o Alemão, Canta Galo, Vigário Geral, Favela do Rato Molhado, linha Amarela, Vermelha, Mangueira e Rocinha saberá interpretar o que é uma cidade dominada pelo tráfego que comanda essas comunidades. Caso você saia de São Conrado rumo ao Leblon e entrar em um acesso errado na linha Amarela, dois quarteirões para frente você está dentro de uma das mais violentas favelas do Brasil. Apague os faróis, abra os quatro vidros do carro e tenha uma boa resposta para o primeiro olheiro, portando uma metralhadora, que lhe fizer uma única pergunta. Sua vida irá ser decidida naquele instante. Ou sua resposta é convincente ou você morre lá mesmo! Caso não saiba disso, e entrar com os faróis acesos, não terá chance de responder a nenhuma pergunta.

Em todas as cidades pelas quais a equipe do Fantástico passou até chegar aqui, o cenário é igual o de Fernandópolis, pena que o objetivo da matéria era outro. Aqui na cidade, as Policias Civil e Militar, os Três Poderes, o Ministério Público e toda a sociedade, juntos, contemplam as ações que reprimem o crime, onde nem chega a ser organizado, pois os criminosos, com mandato, da Mega Operação do Fantástico foram presos na noite de sexta feira. Todos os dois!

domingo, 5 de setembro de 2010

A operação do Fantástico

O programa da Rede Globo potencializou uma notícia, que se dá toda semana, tanto em Fernandópolis como em qualquer outra cidade de qualquer pais que tem a droga com o principal fator da violência.
Estranhamente, o site da Globo.com trazia manchete diferente da TV, mas abordando o Toque de Recolher como medida que não inibe o tráfico. 

A manchete no site diz: “Toque de Recolher, não evita tráfico em Fernandópolis”, como se os menores passassem de consumidores para traficantes. Na TV, porém não foi citado absolutamente nada sobre a ineficiência da medida do Juiz Evandro Pelarin, que inclusive deu entrevista ao programa e manteve a posição de resguardar os menores, e tirá-los das situações de risco, inclusive pelas imagens mostradas pela própria Rede Globo. O Juiz disse: O Toque de Recolher é uma medida cautelar que, no cumprimento do Estatuto da Criança e Adolescente, tem a ação de preservar a integridade moral e física dos adolescentes que possam estar em situação de risco.

Para algumas pessoas ouvidas pelo Sistema Mega, algo ocorreu durante a operação, que teve a TV como protagonista, pois o site chamava falhas quanto a medida do Juiz Evandro Pelarin, e a TV, apos vir a Fernandópolis e verificar que apenas 2 foram presos, pode ter mudado o enfoque da matéria.